#23- De onde viemos e para onde podemos ir.

É muito louco identificar coisas suas em alguém como um filho recém-nascido que chega com as suas orelhas ou traços de personalidade que aos poucos são observados no rebento enquanto ele cresce e se desenvolve.

Também é interessante perceber em nós a mistura que resultou das características dos nossos pais, irmãos ou avós.  O dedo torto do pé que herdamos do avô, ou os olhos da mãe, o sorriso do nosso pai. Mas tem coisas nossas que não temos a mínima ideia de onde vieram. Seja por sermos  um tanto alheios às nossas famílias, ou mesmo por que a nossas história no privou de saber, seja pela perda precoce de um dos pais ou por que de certa forma este parente não pode fazer parte das nossas vidas.

Esta identificação é mais ou menos importante dependendo da pessoa, mas sempre acaba dando aquela “pesada” em determinados momentos da vida. Que venha como fruto de curiosidade ou pela necessidade de autoconhecimento. Ou até mesmo pra nos ajudar a entender alguns comportamentos nossos ou ainda para saber características  da nossa genética que poderiam nos prejudicar ou aos nossos descendentes.

Por vezes é possível que nos identifiquemos com características ou comportamentos que mais que nos desagradarem, nos assustam um tanto. Em certas ocasiões é possível observar que alguns traços nossos são resultado de comportamento que nossos parentes próximos exibiram ao longo de nossa história e que nos marcaram para sempre.

Esta identificação pode nos produzir ao mesmo tempo conforto e repulsa. Orgulha-nos e nos envergonha simultaneamente e é uma parte nossa difícil de trabalhar. Mas está ali no espelho todos os dias, como o oráculo nos afirmando “decifra-me ou te devoro” para tantas situações cotidianas.

Acredito que não exista uma receita para lidar com isso. Há características que precisamos apenas identificar, aceitar e que talvez um dia sejam possíveis de transcender e desconstruir. Por outro lado há outras coisas que são boas, interessantes e que quando reconhecemos nos fazem sentir como sendo parte de algo ou pertencendo a algum lugar. Para estas podemos nos liberar, sentir o coração acalentado e sorrir. Sejam vindas de nossos pais, irmãos ou avós ou sejam características que passamos para nossos filhos. Não tem jeito, com algo nos identificaremos. Uma covinha, o tamanho dos pés, um sorriso, o gênio ruim ou a teimosia desenfreada.

Algo dos outros herdamos e algo para os nossos transmitiremos, mas na loteria da existência não é possível prever o que. Apenas percebemos quando estamos dispostos. E o que iremos fazer com isso é decisão e trabalho de cada um.

#22 – Sobre aceitar os “nãos” que a vida nos dá.

Encantar-se com alguém ou por algo é das coisas mais bonitas da vida. Coloca brilho nos olhos, viço na pele, calor no coração. Que coisa boa é estar encantado, rapidamente nos emendamos e remendamos na nossa melhor versão, por que encantados, nos sentimos plenos, preenchidos com algo de bom para retornar ao universo, às pessoas a alguém.

E assim, leves e inteiros oferecemos este algo bom na nossa bandeja de prata mais reluzente, nossa amizade, bondade, ou o nosso coração inteirinho, pintado no tom de vermelho mais vistoso da palheta de cores. O que temos para oferecer é o nosso melhor e oferecemos com entrega.

Mas pode acontecer de o mundo, a situação ou a pessoa não estarem assim tão dispostos a aceitar, por que o nosso melhor pode não ser o melhor, naquele momento, para aquela pessoa ou situação. Para nós é a coisa mais bonita, querida e plena. Mas é assim apenas para nós. Como oferecemos com muita entrega, a rejeição da vida dói muito e apesar disso só nos resta acalmar o espírito e aceitar o não que a vida, o universo ou alguém tem para nós naquele momento.

Ouvir os “nãos” da vida é ruim, dá revolta, sentimento de inadequação e nos leva ao questionamento de: “onde foi que eu errei?”. Mas tá aí, não tem erro ou acerto. Assim como em tantas situações precisamos aprender a dizer não, mais ainda precisamos nos abrir a aceitar e ouvir os tantos nãos que a vida nos coloca. Não significa que por que nossa melhor versão remendada e costurada aqui e agora não se encaixou em alguma situação ou para alguém, que ela não seja realmente boa ou digna de valor. Não é por que entregamos o coração de bandeja em alguma situação onde ele foi rejeitado, que o vermelho perfeito de que o pintamos tenha agora menos brilho.

Na nossa história para muitas coisas teremos que aceitar o não e isso não significa que sejamos menos por isso. Nossa melhor versão sempre tem que nos bastar no momento. O encantamento pode dar uma “broxada” e esta é a hora onde devemos desviar o olhar, nos centrarmos e voltar os olhos na busca de novas coisas que nos encantem e  tragam novamente o brilho. As pequenas rachaduras na alma e no coração a gente só cola com encantamento e amor, principalmente com o amor próprio.

 

#21 – A vida às vezes é puro eco.

As faxinas podem ser imprescindíveis em alguns períodos da vida. Podem levar dias, meses ou alguns anos até nos vermos livres de todo o lixo acumulado ao longo de um tempo. A limpeza pode acontecer com algum grau de organização, por exemplo, quando separamos a vida por cômodos, primeiro a sala, depois o quarto. Mas as mudanças podem vir com tanta força e de uma vez que a faxina acontece no meio do caos, quase como um tsunami de gente na Rua 25 de março em véspera de natal correndo com enormes sacolas de lixo para longe de nós.

Esta limpeza leva embora coisas que não servem mais, por que nunca foram nossas, mas por um tempo fizeram parte das nossas vidas por que nos identificávamos e nos serviam como se nos pertencessem. De repente, faxinando o quarto, percebemos que aquela cama fofinha era de outra pessoa e agora, apesar da limpeza nos vemos dormindo no chão e em um primeiro momento isto pode ser extremamente desconfortável. Mas encarar este desconforto é a única maneira de começarmos aos poucos a construir nossa própria cama. Neste processo às vezes podemos por algum tempo trazer para o nosso quarto, outra cama de outra pessoa, que pode até ser mais gostosa que a que colocamos para fora, mas ainda assim não é a nossa cama, e podemos voltar a ter que dormir no chão enquanto ainda não conseguimos construir uma cama que seja de fato nossa.

Além de liberarmos nossa casa das coisas que não são nossas, às vezes precisamos colocar para fora sacos de coisas que nos pertenceram por um tempo, mas que já são parte de nós, por que já não nos identificamos mais com elas. Isto pode nos deixar um pouco atordoados com e excesso de vazio. É tanta coisa acumulada que foi embora na faxina que o chão brilha e na sala faz até eco. Pode até mesmo ser um pouco assustador, por que perdemos a identidade do que já fomos um dia. Chega o momento em que sabemos o que já não queremos mais na nossa casa por que conseguimos mandar o lixo embora, mas ainda não temos muita noção de quem somos agora ou sobre o que queremos para nós no futuro.

A vida se torna uma sala vazia e cheia de ecos. Mas talvez seja nos ecos que ouvimos dos nossos passos e de nós mesmos que comecemos timidamente a escutamos qual é lá no fundo a nossa própria voz. Esta voz da essência do que nos tornamos após a limpeza, ouvimos enfim o que para nós é fundamental. Ouvir os ecos é o começo para refazer a nossa casa, móvel por móvel que aos poucos vamos construindo, mas que agora são nossos de verdade e vem aquela sensação de que a vida agora é toda nossa e que podemos moldá-la e decorá-la com a cara que nos agradar mais.

Pensando assim, dormir por um tempo no chão em uma sala  sem móveis pode não ser tão ruim. Quando enfim a cama for a nossa será muito mais cômoda que qualquer outra que poderíamos pegar emprestada num momento de desconforto por o que o que nos restou foi nada além de dormir chão. Abraçar o incômodo e ouvir os ecos de uma casa vazia,sejam talvez os primeiros passos para  dar ouvidos a o que é de verdade nossa própria voz.

#20 – Mantenha os encostos na posição vertical e a mesinha travada.

A vida às vezes pode parecer com uma turbulência de avião. Dá aquela chacoalhada e sentimos o frio na barriga, pode rolar daquelas descompressões que nos tiram os órgãos do lugar. Algumas vezes a turbulência é tão forte que nos faz girar piruetas e com direito a acrobacias aéreas. Ou ficamos mais perdidos que a Hello Kitty num balão atmosférico sem levar o GPS.

Mas o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, ou assim pelo menos dizem que é e prefiro acreditar sempre nisto a cada decolagem que preciso fazer. O negócio treme, chacoalha, mas não cai e apesar do combo suadouro mais  frio na barriga que uma turbulência nos proporciona, quase sempre, todo mundo chega inteiro no aeroporto de destino.

Na vida, tal qual nos aviões, podemos experimentar voos super tranquilos, em céu de brigadeiro com tudo dando certo, serviço de bordo impecável, tudo azul e quando estamos com tudo prontinho para pousar com o encosto na posição vertical e mesinha devidamente travada, já vendo da janelinha a pista de pouso rola aquela arremetida que só o piloto do avião (ou da nave mãe que é a vida) pode saber por que precisou arremeter. Num instante estamos novamente lançados no ar, dando voltas e voltas até chegar a hora oportuna de pousar no destino com segurança e isso pode ser em um aeroporto totalmente aquém do nosso plano A.

Raros são os acidentes aéreos, quase sempre todos fatais. Mas muitos deles são suspeitos de sabotagem ou conspiração, já que a regra é que avião é seguro, sacode, mas não cai pelo menos não assim por pouca coisa.

Disto, pode-se afirmar que voar pode ser considerado razoavelmente seguro. Já viver é um pouco mais arriscado. Que bom seria se a vida viesse com um sistema de controle de tráfego que pudesse prever os desastres por trombada de aeronaves fora da rota ou com rumos divergentes. Ou ainda como seriam úteis os alertas climáticos de previsão das turbulências, que além de antecedê-las, poderiam também classificar se viriam fracas ou fortes no transcorrer da nossa existência.

Viver não é igual viajar de avião com seus tantos controles e garantias e o mais inusitado, é que na vida ganhamos uma passagem só de ida sem saber qual é o aeroporto onde faremos nosso pouso final. A única certeza é que um dia pousaremos no derradeiro destino, ou seja, um dia vamos todos morrer, sem saber nem onde, nem como, nem quando. Não temos ideia de qual será exatamente nosso tempo de voo ou mesmo quantas escalas ainda faremos até o momento do pouso definitivo.

Aos que como eu também suam frio durante qualquer turbulência ao longo de um voo, lembrem-se que viajar de avião pode ser meio rock and roll, mas a vida é um death metal gutural de uma banda underground finlandesa. Nascemos sem nenhuma segurança, mas com final certo e sem canhotinho na passagem para colocar nossos contatos em caso de emergência. Podemos inclusive passar toda a vida nos esquivando de voar evitando turbulências desnecessárias e fugindo dos desastres aéreos. Mas uma vez neste mundo, viver torna-se inevitável e assim serão também algumas turbulências que viremos a experimentar, ainda que com os dois pés em terra firme. Algumas vezes nos vendo em meio a catástrofes piores que um desastre aéreo mesmo que assustados por todo medo e todo horror notamos que o pior de tudo é que a vida continua. Por esta ser a única opção possível naquele momento e nos vemos obrigados a seguir em frente ainda que doloridos e despedaçados, apesar de tudo.

Voar pode ser tenso às vezes, mas para enfrentar a vida, quase sempre nossa única opção é nos tornarmos fortes e corajosos. E em caso de turbulência forte com despressurização, assim como nos ensinam os comissários de bordo, mantenha a calma (ou tente), respire fundo e lembre-se sempre: Antes de auxiliar outro passageiro, coloque em primeiro lugar sua máscara de oxigênio. Afinal, antes de ajudar o outro, precisamos estar inteiros. Voar é seguro, viver nem tanto. Mas no final, a gente passa pela turbulência, chacoalha, dá pirueta, balança e às vezes até se espatifa e machuca, mas cair mesmo é difícil. E quando a coisa fica feia ainda é possível arremeter antes de chocar-se com o solo. Sempre há a possibilidade de recalcularmos o caminho para uma rota mais segura. Muita coisa pode acontecer até o dia de nosso pouso final. Confie no plano de voo, ainda que com destino incerto e siga por aí, apesar das inevitáveis turbulências.

 

#19 – 04/02/2017 O que ainda é preciso deixar para trás

Gosto de pensar que estou onde deveria estar e que as coisas acontecem do jeito que devem acontecer independente de desejos e interferências.

Qualquer controle sobre a vida ou em algumas situações é ilusão. Aceitar este fato não é ganhar o passaporte vida loka, deixa a vida me levar vida leva eu, afinal é bacana ter objetivos e planos, mas o que quero dizer é que seguir à risca o caminho para alcançá-los não é garantia de nada. E que algumas vezes, quando andamos muito na linha somos atropelados pelo trem desgovernado que a vida tantas vezes mostra que é.

O que podemos fazer de melhor nesta incerteza, além de ter metas que deem norte aos nossos dias, é o trabalho nada fácil de tentar construir nossa melhor versão, sermos pessoas melhores, seja lá o que ser melhor signifique para cada um. No meu caso, ser melhor é trabalhar para me sentir mais humana, mais próxima dos meus semelhantes no quesito humanidade. Aprender cada dia um pouquinho mais sobre empatia e aplicar isto nas minhas relações, entre um tantão de outras coisas que ainda almejo para ser uma criatura no máximo do potencial que desejo para mim. Mas estas metas são totalmente pessoais.

A pedra no sapato do autoconhecimento e do aprimorar-se é tudo aquilo que precisamos abrir mão e deixar para trás nesta caminhada (caso seja um desejo “ser melhor”). E despercebidamente nos pegamos agarrados a padrões de comportamento e atitudes que não tem nada a ver com a versão melhorada que podemos ter o desejo de nos tornar. Pior, estes comportamentos, nos momentos mais críticos de “vai ou racha” da vida acabam por nos dominar, as vezes completamente e depois vem aquela sensação de vergonha, aquela velha e boa história de por uns momentos, estar fora de si. É, um saco isso, mas acontece.

Como nem tudo está perdido, a parte boa é que trazendo e estes padrões à luz da nossa consciência (que nem é assim tão luminosa), aprendemos um tanto sobre nós e o “serumaninho” que não queremos mais ser, por que se não nos agrada, é por que já não nos identificamos mais com este personagem.

O trabalho agora é parar, desamarrar o tênis, tirar a meia e nos livrarmos destas “pedras no sapato”. Afinal, de hoje até o final de nossos dias, os momentos quebradeira heavy metal da vida sempre existirão, mas como nos comportar diante deles é escolha e trabalho nosso. E no trem da vida, ou cresce ou desce.  E não vale apoiar-se no vitimismo quando vier a culpinha por errar. É aprender a cair para frente e crescer e aprender a perceber o que já não serve mais neste momento de nossas vidas. Parafraseando a diva Elza Soares: Reconheça a queda, mas não desanima. Caiu? Todo mundo uma hora cai. Aprende alguma coisa, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Saber o que é aquilo que se precisa deixar para trás ao percorrer os caminhos que nos levam a tornar-nos pessoas melhores é tarefa árdua. Até mesmo por que é apenas ao nos depararmos com o que não queremos mais é que percebemos que ainda estamos agarrados a tais padrões e atitudes. Mas é andando pelos trilhos que se encontram os obstáculos. No entanto é preciso ir com cuidado para não andar tão meticulosamente por eles. Afinal, é andando nos trilhos que o risco de ser atropelado pelo trem desgovernado da vida fica maior.

#18 – 28/01/2016 Quando sorrimos para a vida, ela nos sorri de volta (mesmo que o sorriso pareça meio desdentado)

Quando sorrimos para a vida ela sempre sorri de volta. O problema é aprender a reconhecer “os sorrisos” que ela nos retorna. Por que nem sempre o que volta é o que queremos, mas o que a vida nos retorna mais que isso é o que precisamos.

Os “sorrisos da vida” são quase enigmáticos e carecem de um certo tempo e algum amadurecimento para que nossa ficha caia e a gente consiga enfim entender que o que veio foi sempre o melhor para nós.

Pode ser um fim de relacionamento que não funcionava mais, mas que estávamos muito apegados. Pode ser sair compulsoriamente de um trabalho que compensava pela grana, mas que já não nos trazia nenhuma empolgação no dia a dia e nos matava um pouco nos levando a trocar a alma por um salário mensal. Pode ser o filho que planejamos e  que passou do tempo mas que nos abre outras oportunidades na vida de viver, crescer profissionalmente, mudar de carreira ou até mesmo  pensar em adotar uma criança maiorzinha que vai precisar de todo o amor que tivermos para dar quando nos sentirmos de verdade prontos. Podem ser tantos encontros e desencontros com pessoas novas e velhas que nos dão aquele chacoalhão na vida e nos colocam para repensar tudo e talvez dar aquela reconfigurada na rota. Pode ser perder alguém muito querido que se vai precocemente das nossa existência em circunstâncias que nos colocam a reavaliar tudo.

Enfim, podem ser uma infinidade de coisas que nos empurram a mudanças que mais parecem com saltar num abismo de olhos vendados. Os sorrisos da vida não são nada parecidos com a boca cheia de dentes brancos do comercial da Colgate e podem chegar percebidos quase como uma boca desdentada e com bafo de onça.

Viver não é fazer parte do casting da propaganda de margarina. A vida é sertão e pede da gente a força e a serenidade para enfrenta-la e desfrutá-la. Não se pode querer uma moeda que vem com um lado só. Nada na vida é permanente e tudo tem dois lados. Para viver é preciso algo de entrega e muita coragem. Fecho com uma frase de um dos meus livros favoritos.

“O correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza…” (Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas).

Viva, sorria para a vida sempre e aceite os sorrisos que ela te dará de volta, não importa com que cara eles venham em um primeiro momento.

#17 – 20/01/2017 E a vida segue nas quebradeiras.

Caminhava eu tão cheia de certezas, sentindo- me curada das dores da vida. Tão sã e segura de mim. Mal percebia o que qualquer um, mesmo de longe via, mesmo sem óculos e com grau de miopia elevado.

Eu não queria escutar, mas o barulho ainda faz parte de mim e pior, estou longe de silenciá-lo completamente. Talvez tenha me acostumado a  viver com algum grau de ruído.

Dá uma baita vergonha sentir-se uma folha de sulfite branco quando na verdade se é um pedaço velho de jornal rabiscado. Mas é o que temos para hoje.

Mesmo sendo jornal velho, sigo na luta constante que é formatar o HD para reconfigurar minha história . E embora o ruído ainda faça parte, ele não é maior que meu desejo de me renovar ou que minha vontade do novo. Mesmo que a novidade seja apenas a minha vida fora do barulho, limpa de todo esse passado ruidoso.

Para este novo ano, além do amor próprio que preciso reconquistar diariamente, preciso me permitir soltar alguns grandes e libertadores “foda-ses”. Apertar várias vezes o control +F para muitas pessoas e situações.

Afinal, meu caminho quem escolhe e escreve sou eu e só eu. Seja em sulfite branco imaculado, ou neste jornal velho amarelado que é a vida que eu tenho. E ninguém além de mim sabe o quanto é difícil ser eu e conviver com a minha história de vida. No fim de tudo, os cacos por aqui sou eu quem tenho que colar.

Entre erros e alguns acertos, eu e só eu sei que estou fazendo o melhor que posso. E das minhas dores, lágrimas e lutas, além das  minhas tantas noites insones, quem sabe e e vive sou eu.

E posso garantir que na minha luta constante tenho dado tudo e mais um pouco, fazendo o melhor que eu posso um dia de cada vez. Sinto muitíssimo se às vezes pode parecer que não é o suficiente, mas tenho certeza que tenho feito cem por cento do possível para seguir em frente e sair do que já é passado, mesmo ele se colocando desapercebidamente tão presente às vezes.

Pode parecer insuficiente, mas é o que tenho para agora. Se for possivel observar com carinho e cuidado dá para perceber que não é pouca coisa. Pelo menos para mim não tem sido.

Faz parte da vida mergulhar de cabeça sem saber se a piscina era rasa. Sou campeã em me jogar e em me quebrar. Me espatifo, dói um tanto. Mas nessa vida já me acostumei a ser quebra cabeças de mil pedaços